2006-09-19

Social Democracia 2, Parte I

Não sei se repararam, mas começa a haver um novo alento dentro do PSD. Enquanto as vozes contestatárias à liderança de Marques Mendes diminuem de intensidade, a imagem pública que os Portugueses têm do partido, começa a melhorar.

Nas legislaturas, o PS teve maioria, com 45,05%. O PSD teve uns 28,69%.
Em sondagens recentes, houve uma diminuição expressiva de intenção de voto no PS e um ligeiríssimo aumento no PSD, em comparação com os resultados das eleições. Ainda há muito a fazer.

A recuperação, lenta, ou agoniante para alguns, sedentos de poder, faz-se.

Seria, na minha opinião, um erro tentar fazer oposição de uma maneira irresponsável, sem ter uma base sustentável para defender a sua política. O preço a pagar seria a liderança no partido, e Marques Mendes sabe-o. Por isso, ele define o que quer fazer, a seu tempo. É um dos trunfos de quem está na oposição.

2006-09-18

O valor da Educação

Depois de ler o artigo sobre a educação na Finlândia no DN de Domingo, não posso deixar de pensar: Porra, pá, como é que chegamos a isto?

Estando eu na última fase de educação superior, fico atónito quando reparo nos novos alunos que ingressam neste sistema. Fraquinhos. Há excepções. Os melhores são sempre excepções. Mesmo quando o sistema é mau, conseguem desenrascar-se. Ou tiveram sorte.

Houve uma brutal diminuição no número de ingressos na minha área. Tecnológica por excelência. A Matemática e a Física continuam a ser os "handicaps" naturais. E ainda por cima, aquelas disciplinas que caracterizam melhor a capacidade de raciocinar, de forma independente. É uma tristeza. Este país, assim, não vai lá.

Os próximos 10 anos em termos de formação académica estarão irremediavelmente afectados pela turbulência de reformas efectuadas nos últimos 30 anos. Nunca houve uma estabilização do sistema. Cada governo, nova reforma educativa. Ponham os olhos na Finlândia. Não os tirem de lá. Se podem ver, vejam. Vejam e reflictam. Reflictam e façam o que têm a fazer.

Um sistema educativo adaptado às suas comunidades, com alto valor de inserção social. O problema aqui não são os professores. Nem a sua carreira. O problema é sistémico. Não há envolvimento local. Está tudo centralizado. É claro que a definição de políticas passa por aí, mas a execução de estratégias regionais de educação bem que pode mudar o paradigma actual.

Quase todas as vias de educação são para cursos de âmbito geral. A aposta actual em cursos de formação em escolas secundárias peca por tardia. Num país em que todos querem ser doutores e engenheiros, qual é o espaço para uma escola profissional? O problema é mesmo este, a nossa escola não é profissional. Tornou-se um mero lugar de formação cívica mínima, de tempos livres.

O valor da educação é incalculável para a afirmação de Portugal. Sem um forte investimento, contínuo, persistente e planeado, não teremos progresso.

2006-09-13

Esquerda ou Direita?

Devemos classificar a Social-Democracia como uma força política de esquerda ou de direita? Ou será que a dicotomia esquerda-direita já não faz sentido nestes tempos em que a política não têm côr nem sabor?

Originalmente, a Social-Democracia nasceu a partir da doutrina marxista-leninista, e evoluiu para uma força política assente em ideais que não tentam isolar ou restringir a liberdade das pessoas. Em prol de uma sociedade aberta à economia de mercado e capaz de mudar, evoluir, transformar-se ao longo dos tempos. Com estas características, percebe-se que é parte da sua identidade, o ideal liberal e reformista.

Temos claros exemplos de forças políticas que não souberam modernizar-se, calando os reformadores ou críticos internos do partido. O PCP continua a defender os mesmos ideais, mantendo-se coerente com uma doutrina do século 19, não sendo capaz de se modernizar, preferindo rejuvenescer os seus quadros a renovar a sua política, permanecendo fechado e continuando a idolatrar o legado de Marx, Lenine e Estaline.

Por isso, para que uma força política se mantenha saudável, deve continuar a analisar e encontrar as melhores soluções para resolver os - graves - problemas que padece a nossa sociedade:

  • Atraso tecnológico.
  • Pouca rentabilidade dos sistemas produtivos.
  • Inadequação do sistema educativo a uma sociedade em constante mudança.
  • Assimetrias regionais fortes, impedindo o desenvolvimento sustentável das regiões interiores.
  • Falta de visão estratégica, pouca apetência pelo risco e incapacidade de pensar a longo prazo.
  • Injustiça social que marginaliza os mais pobres, fruto de um sistema de segurança social inadaptado às actuais pressões sociais.
Estes problemas não são novos. Contudo, têm solução. Essa solução não pertence à esquerda nem à direita do espectro político, mas numa metodologia assente em processos, que despoletem mudanças e concretizem as reformas planeadas.

Seria irresponsável não contribuir para a melhoria da situação actual, escudando-se na falta de representatividade no Parlamento, vitimizando o próprio partido. Seria inconsciente combater sempre uma política, do governo ou de um outro partido com assento na Assembleia da República, só porque são adversários.

Há um longo caminho a percorrer, no que toca ao consenso, e no que toca à aceitação da sociedade da ideia positiva de haver pactos entre forças políticas.

2006-09-05

Em breve...

A nova postura do maior partido na oposição, o Partido Social Democrata, levará a uma mudança das mentalidades internas, reflexo da alteração programática do partido. Com novos horizontes, teremos novos desafios, que não terminam em 2009.

Nos próximos dias, farei uma análise e crítica do discurso de rentrée de Marques Mendes. Lamento o facto de não se ter aprofundado até agora o impacto deste discurso na vida futura do partido, preferindo a oposição interna criticar o slogan "Pensar em Grande" e a decorrente - miserável - conjugação de "pequeno líder, ideias pequenas".

2006-08-31

Temos que ter, Caramba!

Não podia deixar de comentar o programa na SIC Notícias com o Mário Crespo. 5 estrelas, como sempre.

Eurico Reis, juiz desembargador, a insurgir-se contra a mentalidade político-cultural atrasada no nosso país. Temos que ter escrutínio público, caramba! Referia-se ao processo de escolha do próximo procurador-geral, a grande sensação para o mês de Outubro.

E se estendessemos o mesmo tratamento aos nossos políticos, como seria?

Dávamos preferência a um político com experiência autárquica ou a um político com experiência no Governo como anterior Ministro, para ser um candidato a Primeiro-Ministro de Portugal? Dávamo-nos ao trabalho de analisar o seu currículo profissional, ou confiávamos nos soundbites debitados pelas máquinas partidárias?

O envolvimento de cada um de nós determina o grau de conhecimento que vamos adquirir sobre uma determinada matéria. O que nos dá a capacidade de decidir e escolher o certo e não o errado.

2006-08-14

O desafio da Ota

Este blog não pretende ser um eco das posições oficiais do Partido Social Democrata.

Por vezes, é penoso tomar uma posição que é contrária ao assumido pelo Partido que é de todos nós, os militantes. Mas quando vai contra uma matéria que conheço, que estudei, e que estive lá, mesmo no meio daquilo tudo, não posso olhar para o lado e assobiar.

Fazer oposição é sempre difícil, para qualquer líder. Toma-se uma posição por natureza sempre contrária e de resistência ao Governo. Cooperação ainda é uma palavra feia nas lides parlamentares, e a falta dela resulta naturalmente em erros crassos, quando as pessoas querem tomar uma posição e não se fundamentam devidamente.

Uma coisa é defender a população de uma ameaça real, como o é o que se está a pensar realizar na Cimenteira do Outão, prosseguindo a co-incineração de resíduos perigosos de lamas oleosas, solventes e óleos usados sem respectivo estudo de impacto ambiental. Estiveram bem. Outra é bater o pé na Assembleia da República e não chegar a apresentar, em conclave, uma alternativa viável ao
novo aeroporto da Ota.

O problema na Portela existe. Existe mesmo! Com o continuar das coisas, a Portela rebenta pelas costuras. O que é que o PSD quer que se faça? Adiar a resolução do problema lá para as calendas, quando estivermos em tempo de vacas gordas? Numa economia global, as companhias aéreas não ficam paradas à espera que o vento mude, nem fazem birras, agem como a GM fez, para o bem e para o mal, e depois teremos Portugueses que querem voar para a Europa na TAP, e têm que apanhar um Air Shuttle para Madrid-Barajas.

A Ota não é um problema ou erro estratégico, é um desafio!

2006-08-11

A Radicalização dos Tempos

Num país, quando a política falha e a sociedade se afunda, o Estado deixa de funcionar. A segurança interna, protecção de ameaças externas, cuidados médicos e outros serviços públicos, podem tornar-se reféns de forças não-governamentais. Um caso gritante é o que se passou no Médio Oriente, uma situação de coabitação forçada no Líbano, e o conflito que daí resultou, levando Israel a tomar uma posição dura e sem-retorno. Esta guerra, entre o Hezbollah e as Forças de Defesa de Israel, não resultou de um complexo rapto de militares por parte de forças anti-Israel, mas sim da existência de uma força num Estado supostamente soberano que atacou deliberadamente civis israelitas. A resposta não se fez esperar, bastante actualizada nos tempos que correm. É a implementação da mesma táctica de guerra americana no Iraque em 2003, com vista a incutir um choque tremendo às forças inimigas e, no mínimo, desgastá-las.

De quem é a responsabilidade? Do Irão, por fornecimento de armas e financiamento da milícia libanesa. Especialmente do Líbano, por ter permitido o rearmamento no seu território. Dos países árabes circundantes, por não estarem interessados em que o Líbano fosse um estado soberano, e por lhes ser mais conveniente infligir um castigo divino ao Estado-judeu do que ajudar os seus semelhantes.
Em vez de ajudar a construir um Estado forte e auto-suficiente, vimos a sua autoridade ser minada por forças que não se coadunam em usar tácticas terroristas. No outro lado, Israel já não têm paciência e responde pela única maneira que têm ao seu dispôr, a guerra. Por estar isolado e sem parceiros no médio-oriente, a diplomacia nunca foi uma opção a considerar e teve que encostar o Hezbollah à parede.

Que não haja dúvida nenhuma, o único Estado forte naquela região do médio-oriente é Israel. Todos os outros Estados, excepto a Jordânia, estão minados pelo fundamentalismo, corrupção - o que aconteceu ao dinheiro da Comunidade Europeia enviado à Autoridade Palestiniana ? - e sede de vingança. E a comunidade internacional percebe claramente que Israel não pode aceitar o contínuo lançamento de rockets para o seu território. Pessoalmente, não sou pró-Israel, nem belicista, mas não posso estar ao lado de radicais que matam inocentes deliberadamente.

Hoje um acordo de cessar-fogo foi atingido, pelo Líbano, em representação do Hezbollah, e por Israel. Faço figas para que ambas as partes o respeitem. Mas sem a construção de um Líbano forte e independente, fará deste acordo, um mero prelúdio para a guerra.

2006-08-08

O Lugar dos Políticos

A vida de um político não é fácil. As suas decisões são escrutinadas e, quando possível, postas em causa pelos adversários políticos. São as leis do jogo. Cada comunicado, comentando ou justificando a acção política, visa a sua defesa e/ou desacreditar a oposição. Às vezes torna-se enfadonho acompanhar o debate, outras, descobre-se a verdade.

Por vezes ponho-me a pensar quem é que quer ser político neste país. A
triste sina deles é o constante combate e, não poucas vezes, ser posto em causa todo o trabalho desenvolvido em prol do povo, porque o lugar do político, quer seja um académico brilhante ou um empresário que subiu na vida pelo seu próprio pulso, é com o povo, a trabalhar com ele e para ele. Porém, a maneira como se chega lá não se faz a direito, de certeza! Acho que ultimamente, o discurso de credibilidade de Marques Mendes têm sido demasiado endógeno para um partido que está na oposição, e a opinião pública não o perdoa. Se quer ganhar, deve arriscar ser populista, mostrando que têm equipa e um partido coeso, com os seus ideais intactos.

Virando o disco, é praticamente letal para a carreira de um político - sim, porque chegar a membro do executivo Camarário ou do Governo não é para todos - ser posta em causa a sua credibilidade, devido a actos obscuros praticados na gestão do domínio público, que não se explicam senão pelo favorecimento de terceiros pela sua
boa vontade no financiamento do partido ou qualquer outro grupo de indivíduos. O percurso como político de Isaltino Morais chega ao fim, de uma maneira nada brilhante. Resta-lhe o de ser empresário e continuar no jogo, mas agora, do outro lado.

2006-07-21

Partido versus Sociedade

Os partidos não ganham eleições para levar a cabo os seus programas; formulam programas para ganhar as eleições e uma vez no governo vêem o que podem fazer a cada dia que passa.

Downs.

Ter democracia não é o mesmo que governar democraticamente. Uma coisa é a democracia como sistema normativo de organização e legitimação de poder político, já atingido em Portugal à cerca de 30 anos, e outra coisa é o campo actual de batalha das mais variadas dinâmicas, interacções e restrições em que se decidem - ou não - as políticas democráticas. O acto de governar hoje em dia é uma tarefa árdua e pouco complacente com os seus actores, numa sociedade descentralizada, onde impera o constante questionamento do Estado e da Política pelas forças vivas da sociedade.

Com a cada vez maior exposição ao que se passa em outros Estados, fruto da Globalização, a necessidade de competir, de melhorar a qualidade de vida na sociedade, de mudar as práticas comuns com vista a acompanhar o progresso das sociedades ricas e contemporâneas leva-nos a encarar a política presente como decisora das metas e condutora do processo social. Ou seja, tomar as decisões correctas e a bom tempo passa a ser o primado da política. O que nos leva a querer saber quem é quem na gestão pública, do poder local até às mais altas instâncias do Governo.

E há alternativas? É certo que hoje a complexidade social é maior. Há uma maior divisão funcional da sociedade, em diversas áreas: justiça, educação, segurança, dando origem a cada vez mais espaços autónomos e fazendo gato-sapato dos direitos universais entendidos como pertença de todos os membros de uma sociedade.

Isto é o que se espera de uma sociedade liberal e moderna – funcionalmente não há outra alternativa – mas isso também acaba por afectar a política, porque os políticos são também parte dela.

Ao aproximá-la cada vez mais do ideal de mercado, manifestamente perde-se o carácter regulador social da política e a coordenação da sociedade, e o consequente deslocamento da esfera da sociedade do público para o privado. É por isso que há tanta exclusão social, típico de uma sociedade que vive e se move a diferentes velocidades.

E é por isso que é cada vez maior a responsabilidade social dos políticos no governo e na oposição, para que combatam o ciclo de crescente desvalorização do Estado e maior procura de autonomia do cidadão, aliado a um maior risco de desagregação social.

Já não há a típica redução da complexidade representativa que se pretendia e que era patente em partidos ideológicos. A política já não unifica a vida social, meramente articula as diferenças entre classes e clusters.

Hoje em dia, a pretendida estabilidade política está intimamente ligada ao desejo de protecção social e de tomada de decisões racionais e justificação das mesmas, para apaziguamento das massas, levando a um deslocamento da política institutional para uma política mais em sintonia com a sociedade, mais flexível e mutável, menos rígida e formal.

Com a informalização da política, a sociedade está decerto mais perto da política, mas cada vez mais as instituições políticas são postas em causa: as funções desempenhadas pelos assessores nomeados, subversão de decisões políticas com base em notícias falsas, ou seja, todo o processo de fazer política torna-se bastante complexo.

Não obstante, os agentes da política democrática serão sempre os partidos políticos. São eles o espelho da nossa sociedade, e é imperioso serem capazes de acompanhar as transformações da nossa sociedade e terem capacidade de resposta aos múltiplos problemas de uma comunidade de cidadãos fragmentada. Para que haja projecto de futuro, deve-se combater o distanciamento dos cidadãos da vida partidária, e tornar os próprios partidos forças vivas da sociedade. Se não podes combatê-los...

2006-07-02

Mudanças na Distrital de Lisboa

Arrancou a campanha política para a distrital do PSD em Lisboa.
Os principais candidatos à liderança da maior distrital do PSD são Carlos Carreiras e Paula Cruz.

À partida, congratulo-me por não ter que haver no PSD um regime de quotas internas para as mulheres, e é um bom indicador termos uma mulher a candidatar-se a este cargo político.

O que é pena é isso ser ainda um facto excepcional, e por isso ter que referi-lo. E, em jeito de provocação de um militante social-democrata, porque não termos uma mulher à cabeça do PSD na próxima candidatura às eleições legislativas?