Um exemplo do que pode acontecer quando o sistema de protecção civil nacional falha.
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2007-05-09
2007-03-30
Concurso Especial
A empresa AeroNorte, sedeada em Espanha mas com representação em Portugal, foi a que serviu de intermediário para a vinda dos 2 Beriev B-200 para Portugal. Concurso feito à medida para este aparelho pelo MAI, onde poucos aparelhos são os que têm a capacidade de realizar "scooping" e ter uma capacidade de descarga de 10.000 litros de água, é já vencedor à partida.
Devido à falha do negócio entre o Governo e a Beriev, na compra destas aeronaves, a possibilidade de elas estarem operacionais este verão - previsto ser o mais quente da última década devido ao fenómeno associado ao El Nino e com impacto global - teve que ser atingida recorrendo a um concurso público especial.
Não ponho em causa a vinda destes aparelhos. São aviões de combate a incêndios excelentes e mais tarde ou mais cedo, serão adquiridos e colocados ao serviço da futura Empresa de Meios Aéreos (EMA), que ainda não saiu do papel. Muita contestação foi lançada, veiculada pelos meios de comunicação social, para que esta escolha fosse preterida e outros aviões, mesmo sem serem bombardeiros pesados, como é o avião anfíbio Canadair, fosse o escolhido. Estavamos em 2006. Após um ano de "show" por todo o país, o Beriev chegou e venceu a concorrência. Cá estará em 2007.
Devido à falha do negócio entre o Governo e a Beriev, na compra destas aeronaves, a possibilidade de elas estarem operacionais este verão - previsto ser o mais quente da última década devido ao fenómeno associado ao El Nino e com impacto global - teve que ser atingida recorrendo a um concurso público especial.
Não ponho em causa a vinda destes aparelhos. São aviões de combate a incêndios excelentes e mais tarde ou mais cedo, serão adquiridos e colocados ao serviço da futura Empresa de Meios Aéreos (EMA), que ainda não saiu do papel. Muita contestação foi lançada, veiculada pelos meios de comunicação social, para que esta escolha fosse preterida e outros aviões, mesmo sem serem bombardeiros pesados, como é o avião anfíbio Canadair, fosse o escolhido. Estavamos em 2006. Após um ano de "show" por todo o país, o Beriev chegou e venceu a concorrência. Cá estará em 2007.
Não devemos descurar o sacrifício de todos os profissionais envolvidos, dos pilotos aos planeadores de missão, das forças de segurança aos bombeiros - grande parte deles voluntários e que arriscam a vida para que outros vivam - entre outros. Do esforço conjunto resultou uma área ardida muito inferior ao dos anos anteriores. Se tivesse que "apontar o dedo a alguém", seria a estes senhores.
Pondo estas questões meritórias de parte, gostaria de vir a saber quanto é que a AeroNova acabou por ganhar com este concurso "super-especial". A bem da transparência e rigor financeiro. É que este negócio é e continua a ser muito lucrativo para as empresas que alugam as aeronaves. Razão pela qual o Estado Português, passados vários anos de governação PS e PSD, em que se tinha decidido em alugar a frota de combate a incêndios florestais (IF), "ganhou juízo", ouviu os técnicos, deixou-se de "chapeladas" e de "amiguismos" e avançou para um plano de aquisição de frota própria, operada e mantida sob a responsabilidade do Estado Português.
As fundamentações, para os mais cépticos - há também aqueles que por razões profissionais nunca desistirão de tentar "queimar" esta decisão para que os seus interesses sejam satisfeitos, no mundo empresarial, vale tudo, mesmo tirar olhos - estão presentes no relatório da comissão especial de avaliação formada por técnicos qualificados.
E pergunto eu, e se todas as decisões políticas fossem fundamentadas sempre por este processo, como acontece na Finlândia, em que a avaliação técnica é sempre publicada por técnicos da administração pública altamente qualificados? Será que Portugal seria um país Diferente? Fica a observação.
Pondo estas questões meritórias de parte, gostaria de vir a saber quanto é que a AeroNova acabou por ganhar com este concurso "super-especial". A bem da transparência e rigor financeiro. É que este negócio é e continua a ser muito lucrativo para as empresas que alugam as aeronaves. Razão pela qual o Estado Português, passados vários anos de governação PS e PSD, em que se tinha decidido em alugar a frota de combate a incêndios florestais (IF), "ganhou juízo", ouviu os técnicos, deixou-se de "chapeladas" e de "amiguismos" e avançou para um plano de aquisição de frota própria, operada e mantida sob a responsabilidade do Estado Português.
As fundamentações, para os mais cépticos - há também aqueles que por razões profissionais nunca desistirão de tentar "queimar" esta decisão para que os seus interesses sejam satisfeitos, no mundo empresarial, vale tudo, mesmo tirar olhos - estão presentes no relatório da comissão especial de avaliação formada por técnicos qualificados.
E pergunto eu, e se todas as decisões políticas fossem fundamentadas sempre por este processo, como acontece na Finlândia, em que a avaliação técnica é sempre publicada por técnicos da administração pública altamente qualificados? Será que Portugal seria um país Diferente? Fica a observação.
2007-01-28
MACE lá fora
Os Meios Aéreos Civis de Emergência, conhecidos na gíria internacional por MEDEVAC, têm décadas de actividade e têm sido submetidos a intensa regulação e pressão pública com vista a melhorar os serviços de socorro prestados à população, isto com muito mais intensidade e interesse lá fora do que cá dentro.
A um nível global, há um disseminar de competências por vários tipos de estruturas, consoante estejam mais bem preparados para dar conta da ocorrência. Tal como em Portugal. Mas não tão igual assim em termos de resultados - o caso abordado, a fundação REGA na Suiça, é o paradigma ideal.
Missão
A missão da fundação suiça REGA não é ganhar dinheiro, mas merecer o respeito e a admiração dos cidadãos suiços.
Objectivos
Prestação de serviços aeromédicos pela fundação REGA, associada à Cruz Vermelha Suiça e financiada por dinheiros públicos, com responsabilidade atribuída pelo governo suiço para todo o seu território.
Estratégia
Com um regulamentação aplicada e uma estratégia ligada às questões mais operacionais, só possível com uma gestão mais horizontal e com menos níveis intermédios, a coordenação e a prestação destes serviços têm alcançado resultados satisfatórios, não só por causa da boa governação, mas porque a sociedade civil também é chamada a intervir.
Financiamento
Cerca de 2 milhões de uma população de 7 milhões de suiços financiam esta fundação, associando-se voluntariamente para esse efeito, o que contrasta e bastante com a nossa realidade nacional, em que essa responsabilidade é atribuída ao Estado.
Caracterização da Frota
Os helicópteros MEDEVAC operam com equipas de 4 pessoas - piloto, paramédico, médico e mecânico, são capazes de descolar em 5 minutos para responder a qualquer emergência, 24 horas por dia. Têm 10 bases espalhadas pelo território suiço, com responsabilidade em socorro aeromédico e transferência de doentes entre unidades hospitalares. A fundação REGA também realiza parcerias e contratos com outras companhias aéreas em outras partes do país para prestação complementar de serviços MEDEVAC.
Operam 5 EC145 e 6 A109K2, totalmente operacionais 24 horas por dia. A estes, acrescem-se outros de outras companhias, totalizando 30 com capacidade MEDEVAC. Também têm 3 jactos CL604, utilizados como ambulâncias aéreas em casos de transporte de cidadãos suiços em vôos internacionais.
Caracterização dos Serviços
A rede de serviços aeromédicos está desenhada para que cada helicóptero consiga atingir um cenário de emergência dentro de 15 minutos após ter recebido o alarme, à excepção do Cantão de Valais. A central de operações, responsável por coordenar as operações aéreas de todo o serviço aeromédico do país, está localizada no aeroporto de Zurique. Esta sabe sempre aonde estão os helicópteros de serviço, através de posicionamento GPS activo.
A operação de evacuação acaba sempre por terminar em menos de 1 hora logo após ter sido recebido o alerta, a "hora dourada" considerada crítica para o tratamento de traumas. Na Suiça, todas as cidades têm um centro principal de trauma, equipados com pessoal e equipamentos para prestar os serviços médicos críticos.
Os meios aéreos são activados através do serviço de emergência médica suíça, contactáveis pelo "1414". Colocam o heli em fase de "warm-up", e a ordem para prosseguir vêm mais tarde pelos serviços centrais em Zurique. Ou seja, há uma cooperação entre os serviços distritais e posterior confirmação pelos serviços centrais.
Organização
A maior parte dos pilotos têm experiência militar e continuam a prestar serviço às forças armadas, 5 semanas em cada ano, para manterem a operacionalidade e eficácia. Todos são treinados extensivamente, 600 horas por ano, de modo a aumentar a segurança das operações MEDEVAC e evitar acidentes aéreos. Dentro da instituição existe uma atitude aberta e organizada para resolver o problema e não para punir o indivíduo.
Resultados
Em 2005 voaram cerca de 9000 missões com sucesso, numa média variável de 2 a 3 missões por dia em cada base.
Em Portugal...
O governo acha que os procedimentos dos serviços de emergência médica são correctos quando há tempos de duração que excedem as 4 horas.
A sociedade quer mais meios aéreos sem se preocupar em saber como eles vão ser financiados e se há centros de trauma para tal.
Os médicos estão contra a introdução de mecanismos de controle para aferir quem está de facto ao serviço.
Os enfermeiros acreditam que podem desempenhar o trabalho efectuado pelos bombeiros no socorro a toda a população.
Os bombeiros querem meios mas depois falham na coordenação dos meios aéreos e sua integração com restantes agentes da protecção civil.
Toda a gente culpa toda a gente e não se resolve o problema da Emergência Médica em Portugal.
A um nível global, há um disseminar de competências por vários tipos de estruturas, consoante estejam mais bem preparados para dar conta da ocorrência. Tal como em Portugal. Mas não tão igual assim em termos de resultados - o caso abordado, a fundação REGA na Suiça, é o paradigma ideal.
Missão
A missão da fundação suiça REGA não é ganhar dinheiro, mas merecer o respeito e a admiração dos cidadãos suiços.
Objectivos
Prestação de serviços aeromédicos pela fundação REGA, associada à Cruz Vermelha Suiça e financiada por dinheiros públicos, com responsabilidade atribuída pelo governo suiço para todo o seu território.
Estratégia
Com um regulamentação aplicada e uma estratégia ligada às questões mais operacionais, só possível com uma gestão mais horizontal e com menos níveis intermédios, a coordenação e a prestação destes serviços têm alcançado resultados satisfatórios, não só por causa da boa governação, mas porque a sociedade civil também é chamada a intervir.
Financiamento
Cerca de 2 milhões de uma população de 7 milhões de suiços financiam esta fundação, associando-se voluntariamente para esse efeito, o que contrasta e bastante com a nossa realidade nacional, em que essa responsabilidade é atribuída ao Estado.
Caracterização da Frota
Os helicópteros MEDEVAC operam com equipas de 4 pessoas - piloto, paramédico, médico e mecânico, são capazes de descolar em 5 minutos para responder a qualquer emergência, 24 horas por dia. Têm 10 bases espalhadas pelo território suiço, com responsabilidade em socorro aeromédico e transferência de doentes entre unidades hospitalares. A fundação REGA também realiza parcerias e contratos com outras companhias aéreas em outras partes do país para prestação complementar de serviços MEDEVAC.
Operam 5 EC145 e 6 A109K2, totalmente operacionais 24 horas por dia. A estes, acrescem-se outros de outras companhias, totalizando 30 com capacidade MEDEVAC. Também têm 3 jactos CL604, utilizados como ambulâncias aéreas em casos de transporte de cidadãos suiços em vôos internacionais.
Eurocopter 145
EC-145
EC-145 em operação nocturna
Equipamento Médico no EC-145
Agusta 109
A109K2
A109K2 preparado para operações a alta altitude
Equipamento Médico no A109K2
Challenger CL-604
CL-604
Chegada de mais um vôo internacional
Cabine Interior do CL-604
EC-145
EC-145 em operação nocturna
Equipamento Médico no EC-145Agusta 109
A109K2
A109K2 preparado para operações a alta altitude
Equipamento Médico no A109K2Challenger CL-604
CL-604
Chegada de mais um vôo internacional
Cabine Interior do CL-604Caracterização dos Serviços
A rede de serviços aeromédicos está desenhada para que cada helicóptero consiga atingir um cenário de emergência dentro de 15 minutos após ter recebido o alarme, à excepção do Cantão de Valais. A central de operações, responsável por coordenar as operações aéreas de todo o serviço aeromédico do país, está localizada no aeroporto de Zurique. Esta sabe sempre aonde estão os helicópteros de serviço, através de posicionamento GPS activo.
A operação de evacuação acaba sempre por terminar em menos de 1 hora logo após ter sido recebido o alerta, a "hora dourada" considerada crítica para o tratamento de traumas. Na Suiça, todas as cidades têm um centro principal de trauma, equipados com pessoal e equipamentos para prestar os serviços médicos críticos.
Os meios aéreos são activados através do serviço de emergência médica suíça, contactáveis pelo "1414". Colocam o heli em fase de "warm-up", e a ordem para prosseguir vêm mais tarde pelos serviços centrais em Zurique. Ou seja, há uma cooperação entre os serviços distritais e posterior confirmação pelos serviços centrais.
Organização
A maior parte dos pilotos têm experiência militar e continuam a prestar serviço às forças armadas, 5 semanas em cada ano, para manterem a operacionalidade e eficácia. Todos são treinados extensivamente, 600 horas por ano, de modo a aumentar a segurança das operações MEDEVAC e evitar acidentes aéreos. Dentro da instituição existe uma atitude aberta e organizada para resolver o problema e não para punir o indivíduo.
Resultados
Em 2005 voaram cerca de 9000 missões com sucesso, numa média variável de 2 a 3 missões por dia em cada base.
Em Portugal...
O governo acha que os procedimentos dos serviços de emergência médica são correctos quando há tempos de duração que excedem as 4 horas.
A sociedade quer mais meios aéreos sem se preocupar em saber como eles vão ser financiados e se há centros de trauma para tal.
Os médicos estão contra a introdução de mecanismos de controle para aferir quem está de facto ao serviço.
Os enfermeiros acreditam que podem desempenhar o trabalho efectuado pelos bombeiros no socorro a toda a população.
Os bombeiros querem meios mas depois falham na coordenação dos meios aéreos e sua integração com restantes agentes da protecção civil.
Toda a gente culpa toda a gente e não se resolve o problema da Emergência Médica em Portugal.
2007-01-18
MACE - Meios Aéreos Civis de Emergência
Além dos 2 helis indicados anteriormente do SNBPC e INEM, existem mais 2 indicados aqui, totalizando 4 aeronaves.
O INEM opera 2 aeronaves aeromédicas especiais para esse fim em Tires e em Matosinhos, da HeliSul, pertencentes à frota espanhola Helisureste que gere mais de 17 helis para todo o serviço de emergência médica no território de Espanha - foi através de uma das suas aeronaves a jacto que se procedeu à evacuação médica de uma jornalista portuguesa do médio-oriente.
No ano de 2006 tiverem mais de 600 ocorrências, uma média de 2 activações de helis por dia, devido ao anterior crescimento da área sobre responsabilidade dos vários CODUs, totalizando perto de 6000 € o custo por cada activação. Não é caro, se compararmos com o preço médio de 9000 € por vôo em 2002 - perguntem lá quem é que os operava...
Os bombeiros, ou melhor, o comando da Protecção Civil porque os GIPS do MAI/GNR também entram na história toda, além dos 2 helis em Loulé e Santa Comba Dão, estes também da HeliSul, irão receber mais 10 helis, como indicado num post anterior, para combate aos fogos através de um novo contrato com a HeliPortugal. Com a entrada da GNR, também será possível no futuro montar dispositivos aéreos de segurança policial além do combate aos incêndios. A atribuição do comando e controlo destas operações aéreas dará pano para mangas neste verão turbulento que se avizinha...
O INEM não gere estes 2 helis presentemente afectos aos serviços de busca, resgate e salvamento da Protecção Civil. Embora estes estejam equipados com um kit mini-hospital, célula sanitária e portanto aptos ao transporte aéreo de doentes, e com tripulação médica on call, não estão inseridos no dispositivo normal de pronto-socorro do CODU da área respectiva. Talvez por falta de coordenação, ou sem capacidade de operar com tripulação médica em turnos H24 ou mesmo por não estar preparado para o transporte de doentes em estado grave como o era naquele caso.
Desde 1997 que o INEM têm conduzido operações em ambulâncias aéreas, no qual o Hospital São Francisco Xavier foi o percursor. A vontade de criar um dispositivo separado e independente dos Bombeiros criou alguns amargos de boca. Toda a gente gosta de defender a sua "dama" cá em Portugal.
O que se passou em Odemira foi normalíssimo cá dentro em Portugal, segundo o Ministro da Saúde. Por uma questão de procedimentos - a história repete-se como na Nazaré - e falta de equipamento especializado no heli estacionado em Loulé, recorreu-se ao de Tires. O tempo de activação e vôo seriam menores se se tivesse utilizado o heli de Loulé. Foi preterido por razões técnicas - não estava devidamente preparado para o transporte do acidentado grave. E também por não pertencer ao dispositivo controlado pelo INEM.
Esta não foi uma situação única. Já em 2006, a utilização mais eficiente dos meios aéreos teria sido útil para salvar vidas, como está patente no comunicado da ANTEPH.
Acho este tipo de situações incompreensível e só admissível para quem não sabe como um serviço MACE funciona lá fora, onde o tempo de activação é de 5 minutos após a comunicação da ocorrência à central, e o tempo de vôo está tabelado para um máximo de 15 minutos, com tempos de warm-up entre 5 e 10 minutos. Continua...
O INEM opera 2 aeronaves aeromédicas especiais para esse fim em Tires e em Matosinhos, da HeliSul, pertencentes à frota espanhola Helisureste que gere mais de 17 helis para todo o serviço de emergência médica no território de Espanha - foi através de uma das suas aeronaves a jacto que se procedeu à evacuação médica de uma jornalista portuguesa do médio-oriente.
No ano de 2006 tiverem mais de 600 ocorrências, uma média de 2 activações de helis por dia, devido ao anterior crescimento da área sobre responsabilidade dos vários CODUs, totalizando perto de 6000 € o custo por cada activação. Não é caro, se compararmos com o preço médio de 9000 € por vôo em 2002 - perguntem lá quem é que os operava...
Os bombeiros, ou melhor, o comando da Protecção Civil porque os GIPS do MAI/GNR também entram na história toda, além dos 2 helis em Loulé e Santa Comba Dão, estes também da HeliSul, irão receber mais 10 helis, como indicado num post anterior, para combate aos fogos através de um novo contrato com a HeliPortugal. Com a entrada da GNR, também será possível no futuro montar dispositivos aéreos de segurança policial além do combate aos incêndios. A atribuição do comando e controlo destas operações aéreas dará pano para mangas neste verão turbulento que se avizinha...
O INEM não gere estes 2 helis presentemente afectos aos serviços de busca, resgate e salvamento da Protecção Civil. Embora estes estejam equipados com um kit mini-hospital, célula sanitária e portanto aptos ao transporte aéreo de doentes, e com tripulação médica on call, não estão inseridos no dispositivo normal de pronto-socorro do CODU da área respectiva. Talvez por falta de coordenação, ou sem capacidade de operar com tripulação médica em turnos H24 ou mesmo por não estar preparado para o transporte de doentes em estado grave como o era naquele caso.
Desde 1997 que o INEM têm conduzido operações em ambulâncias aéreas, no qual o Hospital São Francisco Xavier foi o percursor. A vontade de criar um dispositivo separado e independente dos Bombeiros criou alguns amargos de boca. Toda a gente gosta de defender a sua "dama" cá em Portugal.
O que se passou em Odemira foi normalíssimo cá dentro em Portugal, segundo o Ministro da Saúde. Por uma questão de procedimentos - a história repete-se como na Nazaré - e falta de equipamento especializado no heli estacionado em Loulé, recorreu-se ao de Tires. O tempo de activação e vôo seriam menores se se tivesse utilizado o heli de Loulé. Foi preterido por razões técnicas - não estava devidamente preparado para o transporte do acidentado grave. E também por não pertencer ao dispositivo controlado pelo INEM.
Esta não foi uma situação única. Já em 2006, a utilização mais eficiente dos meios aéreos teria sido útil para salvar vidas, como está patente no comunicado da ANTEPH.
Acho este tipo de situações incompreensível e só admissível para quem não sabe como um serviço MACE funciona lá fora, onde o tempo de activação é de 5 minutos após a comunicação da ocorrência à central, e o tempo de vôo está tabelado para um máximo de 15 minutos, com tempos de warm-up entre 5 e 10 minutos. Continua...
Escândalo!
A emergência médica aérea em Portugal é um escândalo! Depois de uma investigação a esta temática, fiquei enojado! Temos falta de meios aéreos coordenados e recursos humanos, e ainda por cima os bombeiros e o INEM andam às turras uns com os outros. Portugal têm quintas espalhadas por tudo quanto é sítio! Continua...
2007-01-15
A emergência médica em Portugal
Fruto de mais um acidente na estrada, no concelho de Odemira, veio mais uma vez a público as deficiências estruturais dos nossos serviços de emergência médica. Apresento de seguida as medidas propostas pelas associações técnicas desta especialidade, tornadas públicas, à margem do poder político vigente, num comunidado conjunto.
10 medidas para optimizar a capacidade de Emergência Médica em Portugal
1) Criação de uma Lei que consagre o direito do Cidadão a acesso a Suporte Avançado de Vida em tempo útil (10-15 minutos).
2) Criação da Especialidade de Medicina de Emergência, tanto na Carreira Médica como na Enfermagem.
3) Integração da Emergência Médica nos Curricula da Formação Médica como valência própria facilitando assim o recrutamento de Médicos.
4) Criação de um grupo de trabalho para definição de uma carreira técnico-profissional de Técnico / Bombeiro Especialista em Socorro Pré-Hospitalar, integrando I.N.E.M., S.N.B.P.C., Liga dos Bombeiros, Ordem dos Médicos e de Enfermagem, Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME), Associação dos Enfermeiros de Emergência Pré-Hospitalar (APEEPH) e Associação Nacional de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (ANTEPH).
5) Instituição de cursos de Emergência Médica multidisciplinares em estabelecimentos de ensino credenciados para optimizar a interligação entre os vários intervenientes.
6) Definição legal da V.M.E.R. e da composição da equipa e resolução das inoperacionalidades existentes, como proposto em documento da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME) entregue ao Ministério da Saúde.
7) Complementação das Ambulâncias I.N.E.M. com um terceiro elemento, (cumprindo a Lei) que poderá ser recrutado no âmbito dos cursos de TAS (formando / voluntário) sem custos adicionais.
8) Fiscalização determinada e punição severa das ilegalidades supracitadas.
9) Reestruturação do Socorro Aeromédico e colocação de Equipa Médica INEM nos Helicópteros do S.N.B.P.C. / Loulé e Santa Comba Dão 24/24 h.
10) Consagração legal, tal como proposto pela ordem dos Médicos, da Desfibrilação Automática por pessoal não-médico.

Depois de ter ouvido o programa FórumTSF de esta manhã com a participação de deputados de todas as forças políticas (Zita Seabra, etc), ficou patente que Portugal é ainda um país em vias de desenvolvimento. Não temos riqueza - meios e pessoas - para manter um sistema de emergência médica com qualidade.
Faltam médicos, viaturas, tripulações de ambulância, sistema de comunicações de emergência, isto é, toda uma infra-estrutura que assegure o pronto-socorro rápido em todo o país. É certo que esse problema não se coloca em Lisboa ou Porto, ou em capitais de distrito. Devido à racionalização dos meios, perdeu-se a eficácia no pronto-socorro em regiões mais isoladas do país, acabando esta medida política por custar vidas.
Em breve apresentarei o exemplo da REGA de como funciona o sistema de socorro nacional na Suiça.
2007-01-11
Forças Conjuntas, uma realidade quando?
De um lado temos as novas forças da GNR, os GIPS. Do outro temos os bombeiros, com corporações equipadas com helicópteros Bell-212. Depois temos a Marinha, o Exército e a Força Aérea, todos corpos de segurança altamente especializados. Ainda temos os helis Bell-412 do INEM para transporte ambulatório.
Todos eles são agentes da Protecção Civil.
Todos pertencem a classes diferentes, e quando chega a altura de operar hand-in-hand, o que é que lhes ocorre?
- Quem é que mexeu no meu queijo???
Quando houve o naufrágio de pescadores na Nazaré, a Marinha seguiu os procedimentos com os resultados que cada um de nós sabe. Quando houve um naufrágio no Cabo Vicente no dia a seguir, não seguiu os procedimentos. Contactaram o heli da Protecção Civil de Loulé para a prestação de auxílio. Salvou-se o náufrago.
Porque é que se salvou? Simples, porque a Marinha lembrou-se que estava um meio aéreo em Loulé que podia chegar lá mais rapidamente. Em relação ao naufrágio da Nazaré, se tivesse tomado a decisão em menos de 5 minutos depois de receber o primeiro sinal de distress, 30 minutos depois, teríamos o helicóptero da Protecção Civil de Santa Comba Dão na zona de resgate. E provavelmente estariam hoje todos vivos.
Quando a tragédia do Katrina tomou forma, houve uma mobilização geral dos meios aéreos do Exército e da Guarda Costeira Norte-Americana. Possivelmente estiverem presentes outros meios aéreos de outras forças militares ou paramilitarizadas.
Realizaram 42000 salvamentos de pessoas naquele período. A sua operação conjunta foi possível devido aos métodos de treino semelhantes para o SAR - Search And Rescue - e a standardização de procedimentos, facilitando a gestão dos meios aéreos e a resposta rápida. Mas por incrível que pareça, não chegaram a utilizar todos os meios disponíveis. Houve meios aéreos colocados à disposição da agência americana responsável pela resposta às emergências, a FEMA. Contudo não foram chamados porque não havia nenhuma base de dados que recolhesse o seu estado operacional, os contactos, a posição actual e se tinham tripulação disponível. E isto foi nos E.U.A. .
E se tivessemos uma catástrofe ambiental que nos obrigasse a proceder a evacuações de emergência de milhares de pessoas? Seríamos capazes de tomar as opções correctas?
Todos eles são agentes da Protecção Civil.
Todos pertencem a classes diferentes, e quando chega a altura de operar hand-in-hand, o que é que lhes ocorre?
- Quem é que mexeu no meu queijo???
Quando houve o naufrágio de pescadores na Nazaré, a Marinha seguiu os procedimentos com os resultados que cada um de nós sabe. Quando houve um naufrágio no Cabo Vicente no dia a seguir, não seguiu os procedimentos. Contactaram o heli da Protecção Civil de Loulé para a prestação de auxílio. Salvou-se o náufrago.
Porque é que se salvou? Simples, porque a Marinha lembrou-se que estava um meio aéreo em Loulé que podia chegar lá mais rapidamente. Em relação ao naufrágio da Nazaré, se tivesse tomado a decisão em menos de 5 minutos depois de receber o primeiro sinal de distress, 30 minutos depois, teríamos o helicóptero da Protecção Civil de Santa Comba Dão na zona de resgate. E provavelmente estariam hoje todos vivos.
Realizaram 42000 salvamentos de pessoas naquele período. A sua operação conjunta foi possível devido aos métodos de treino semelhantes para o SAR - Search And Rescue - e a standardização de procedimentos, facilitando a gestão dos meios aéreos e a resposta rápida. Mas por incrível que pareça, não chegaram a utilizar todos os meios disponíveis. Houve meios aéreos colocados à disposição da agência americana responsável pela resposta às emergências, a FEMA. Contudo não foram chamados porque não havia nenhuma base de dados que recolhesse o seu estado operacional, os contactos, a posição actual e se tinham tripulação disponível. E isto foi nos E.U.A. .
E se tivessemos uma catástrofe ambiental que nos obrigasse a proceder a evacuações de emergência de milhares de pessoas? Seríamos capazes de tomar as opções correctas?
2007-01-05
Autoridade Nacional de Protecção Civil
A reformulação da actual Protecção Civil, com vista a integrar um comando único, reflectindo o SIOPS - sistema integrado de operações de protecção e socorro - já prevista no PRACE, vai levar a uma profunda reestruturação do actual sistema, abrangendo os vários agentes da Protecção Civil - Forças Armadas, Bombeiros, INEM, GNR, Polícia Marítima, ICN, etc.
Não é por mero acaso que refiro isto. Há cerca de 1 semana houve um acidente trágico, a pouca distância da costa, sob o olhar dos populares, que revoltou os portugueses. O facto de os meios de socorro terem falhado naquelas circunstâncias mostra a débil articulação dos vários agentes com responsabilidades na matéria.
Além de uma reformulação orgânica, com vista a aumentar a estrutura de protecção à sociedade civil, teremos novos meios aéreos e outros meios operacionais previstos no conjunto de diplomas aprovados no Conselho de Ministros de 29 de Outubro de 2006.
Recentemente foi desencadeado um novo concurso com vista a contratação para o MAI de pessoal técnico com vista a desempenhar funções de pilotagem e manutenção técnica dos novos meios aéreos, que serão:
2 Beriev B-200 6 Kamov KA-32 4 Aeroespatiale Ecureuil AS350B3
O Beriev esteve em testes durante o verão de 2006, e o relatório é favorável à sua operação em Portugal, embora haja restrições no scoping - captação de água durante a amaragem - devido aos locais de abastecimento de água. Com efeito, irá apresentar novos desafios ao planeamento operacional, sendo necessário uma boa articulação com o terreno quer no combate aos incêndios quer na operação de scoping de modo a evitar acidentes por desconhecimento do relevo no terreno, baixa cota de água ou algum desportista náutico que se aventure na área restrita.
A utilização de helicópteros ligeiros performantes como o Ecureuil para operações mais sensíveis e rápidas ou o helicóptero médio Kamov para operações de combate a incêndios será uma excelente mais-valia ao dispositivo habitualmente empregue, anualmente. Além deste reforço, com tripulações e dispositivos empregues para todo o ano, continuaremos a ter os dispositivos aéreos alugados, com base anual ou plurianual.
Os exemplos referidos têm um link associado ao qual se podem verificar quais as operações que estes aparelhos estão certificados e habilitados a fazer, neste caso a operar na Suiça. Realço as capacidades de Salvamento e Combate a Incêndios.
Serão estes aparelhos, alguns deles equipados com guincho de salvamento, que estarão disponíveis em Maio, e que poderão vir a ser utilizados se o sistema de operações assim o entender, em casos como o da Nazaré. O curso de formação do pessoal arranca já em Fevereiro.
Deve ser referido que só neste último ano em 2006 se teve a coragem de realizar um estudo que relacionasse o emprego dos meios aéreos e a sua relativa eficácia no combate aos incêndios. Os meios aéreos têm sido utilizados anualmente e é lamentável que até agora nunca se tenham realizado peritagens técnicas que mostrassem o valor real do seu emprego. Podemos imaginar o desperdício e ineficácia que têm sido na articulação e emprego destes meios em anos anteriores.
Como referido nesta notícia de Junho de 2005, já durante o governo de Durão Barroso e depois no de Santana Lopes que se equacionava a aquisição destes meios, sob proposta da Rússia, interessada em liquidar a sua dívida.
Só que devido à política de contenção do défice na altura, essa proposta foi rejeitada, apostando o governo PSD/PP em continuar a sua política de outsourcing para a prestação de serviços de socorro e protecção civil - o que é um erro já que a gestão dos meios acaba por se revelar ineficaz, as empresas contratadas tendem a usar o maior número possível de horas de vôo sem olhar aos resultados.
A maior parte dos países europeus decidiu investir numa frota aérea para a protecção civil, adoptando um serviço misto no combate florestal. E é este modelo que defendo.
Com a nova ANPC, seguramente teremos ganhos na protecção da floresta, vidas humanas e sociedade em geral. Porque se tomou a decisão política de querer ter um sistema eficaz e eficiente. E é assim que devia ser.
Doa a quem doer...
Não é por mero acaso que refiro isto. Há cerca de 1 semana houve um acidente trágico, a pouca distância da costa, sob o olhar dos populares, que revoltou os portugueses. O facto de os meios de socorro terem falhado naquelas circunstâncias mostra a débil articulação dos vários agentes com responsabilidades na matéria.
Além de uma reformulação orgânica, com vista a aumentar a estrutura de protecção à sociedade civil, teremos novos meios aéreos e outros meios operacionais previstos no conjunto de diplomas aprovados no Conselho de Ministros de 29 de Outubro de 2006.
Recentemente foi desencadeado um novo concurso com vista a contratação para o MAI de pessoal técnico com vista a desempenhar funções de pilotagem e manutenção técnica dos novos meios aéreos, que serão:
O Beriev esteve em testes durante o verão de 2006, e o relatório é favorável à sua operação em Portugal, embora haja restrições no scoping - captação de água durante a amaragem - devido aos locais de abastecimento de água. Com efeito, irá apresentar novos desafios ao planeamento operacional, sendo necessário uma boa articulação com o terreno quer no combate aos incêndios quer na operação de scoping de modo a evitar acidentes por desconhecimento do relevo no terreno, baixa cota de água ou algum desportista náutico que se aventure na área restrita.
A utilização de helicópteros ligeiros performantes como o Ecureuil para operações mais sensíveis e rápidas ou o helicóptero médio Kamov para operações de combate a incêndios será uma excelente mais-valia ao dispositivo habitualmente empregue, anualmente. Além deste reforço, com tripulações e dispositivos empregues para todo o ano, continuaremos a ter os dispositivos aéreos alugados, com base anual ou plurianual.
Os exemplos referidos têm um link associado ao qual se podem verificar quais as operações que estes aparelhos estão certificados e habilitados a fazer, neste caso a operar na Suiça. Realço as capacidades de Salvamento e Combate a Incêndios.
Serão estes aparelhos, alguns deles equipados com guincho de salvamento, que estarão disponíveis em Maio, e que poderão vir a ser utilizados se o sistema de operações assim o entender, em casos como o da Nazaré. O curso de formação do pessoal arranca já em Fevereiro.
Deve ser referido que só neste último ano em 2006 se teve a coragem de realizar um estudo que relacionasse o emprego dos meios aéreos e a sua relativa eficácia no combate aos incêndios. Os meios aéreos têm sido utilizados anualmente e é lamentável que até agora nunca se tenham realizado peritagens técnicas que mostrassem o valor real do seu emprego. Podemos imaginar o desperdício e ineficácia que têm sido na articulação e emprego destes meios em anos anteriores.
Como referido nesta notícia de Junho de 2005, já durante o governo de Durão Barroso e depois no de Santana Lopes que se equacionava a aquisição destes meios, sob proposta da Rússia, interessada em liquidar a sua dívida.
Só que devido à política de contenção do défice na altura, essa proposta foi rejeitada, apostando o governo PSD/PP em continuar a sua política de outsourcing para a prestação de serviços de socorro e protecção civil - o que é um erro já que a gestão dos meios acaba por se revelar ineficaz, as empresas contratadas tendem a usar o maior número possível de horas de vôo sem olhar aos resultados.
A maior parte dos países europeus decidiu investir numa frota aérea para a protecção civil, adoptando um serviço misto no combate florestal. E é este modelo que defendo.
Com a nova ANPC, seguramente teremos ganhos na protecção da floresta, vidas humanas e sociedade em geral. Porque se tomou a decisão política de querer ter um sistema eficaz e eficiente. E é assim que devia ser.
Doa a quem doer...
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