2008-01-25

Como lidar com os Lobbies?

Debate na Universidade Lusíada, mais um da malta da Psico. Pacheco Pereira, Luis Paixão Martins, Pedro Correia... e eu também vou lá estar!

Mais informações ver aqui!

2008-01-20

Da Natureza das Coisas dentro do PPD/PSD

O PPD/PSD em Lisboa não existe!

Correu bem em 2005, mas em 2007 foi o que se viu. Só agora em 2008 temos acusações deduzidas e claros indícios de financiamento ilícito do PSD nas autárquicas de Lisboa, tornados públicos. Para quem quer governar, com que direito podem depois exigir o cumprimento da lei se dentro do partido é um autêntico faroeste? Está muito claro que isto leva ao descrédito do partido e marca o que a opinião pública pensa do PPD/PSD. Não existe exceptuando os deputados do PPD/PSD na Assembleia Municipal de Lisboa!

Marques Mendes forçou a demissão de Carmona Rodrigues devido ao escândalo BragaParques. Foi muito criticado dentro do partido por ter tomado esta decisão que levou à perda da maior câmara municipal e a que mais notoriedade têm a nível nacional. Foi o que se viu e deu no que deu. Afinal, tinha razão.
Marques Mendes preferiu respeitar os princípios democráticos, não andasse ele a defender o racionalismo humanista dentro do partido, coisa aliás completamente "démodé" e que não cativou os militantes.

E Menezes? Se fosse ele preferia manter o
status quo, os cargos, os tachos, as assessorias, os favores pessoais, a capacidade de influenciar decisões que não são mais que a protecção de interesses económicos, do que a clareza democrática. Acho que Menezes "cuspiu" nos lisboetas. Isto têm que ficar claro! Menezes se estivesse na mesma situação preferia manter o poder autárquico que ir a votos. É por isto que não acredito que abra mão do partido e convoque directas antes de 2009. Têm que ser forçado a tal. E isso não é impossível de acontecer. Já aconteceu e pode voltar a acontecer.

Ninguém no seu perfeito juízo poderia dizer que Lisboa ficou a ganhar com o negócio ParqueMayer/FeiraPopular. Foram quase 14 milhões de euros de prejuízo. Actualmente, o PPD/PSD, completamente ausente da cena política em Lisboa, está a enveredar por uma estratégia de contenção de danos, não assumindo responsabilidades com a história - os dirigentes podem mudar, mas têm que viver com a história do partido - não lutando pelo programa apresentado nas urnas, e é um dado adquirido que nas próximas eleições o
alcaide vai continuar a ser socialista. Fernando Negrão está completamente subalternizado dentro do Partido, não se irá recandidatar e é garantido que sairá de cena da política nacional dentro de 1 ano. A luta pela Distrital de Setúbal correu-lhe mal e voltar a Setúbal está fora de questão.

Um à-parte, a mesma história não se passa noutras câmaras municipais onde autarcas que são arguidos ou sob suspeita de crimes de corrupção e afins, não são remodelados pelas direcções do partido. A estas não lhes interessa porque não prejudica a imagem do partido a nível nacional. Mas Lisboa já é diferente. Fica o reparo.

A (im)postura de Menezes

O agora líder do PPD/PSD anda a falar em baixar os impostos. Já é a terceira vez que muda de discurso. Que tipo de primeiro-ministro seria ele se nem consegue apresentar um discurso coerente, uma ideia para o país, a defesa de bandeiras com que se apresentou na liderança do partido.
  • Longa vida à Ota. Passou a ser Alcochete. Já agora, o custo de aquisição de terrenos na Ota a serem pagos pelo Estado eram cerca de 150 milhões de euros. Em Alcochete o custo previsto pelo LNEC a pagar pelas expropriações é cerca de 242 milhões de euros. Então não andavam a dizer que a aquisição de terrenos era "a custo zero" em Alcochete? Pois é...
  • Na Saúde defende a privatização do sector. Mas foi a Anadia aproveitar-se da situação, puxou dos galões de médico mas levou um "puxão-de-orelhas" de uma multidão que está farta de políticos que cobram e não cumprem promessas. Diz que está contra mas não é capaz de apresentar uma alternativa. Está à espera que o Cunha Vaz e Associados lhe diga o que deve dizer.
  • IVA, IRS, IRC, vai tudo abaixo segundo o Menezes. Antes não era o caminho a seguir, estava - ou está, ninguém sabe! - com a política fiscal de José Sócrates, contestava o raciocínio de Marques Mendes, agora tomou-lhe a bandeira de assalto.
  • Afirmou nas directas que as distritais é que escolhem os seus representantes no Parlamento. Caiu por terra após um dos seus vice ameaçar silenciar militantes incómodos à liderança do partido, retirando-os da lista do PSD nas próximas legislativas.
Uma personagem que quer "desmantelar o Estado" mas ao mesmo tempo quer criar mais Administração Pública, regionalizando Portugal? Que fica incomodada com o pluralismo dentro do PSD mas que nunca deixou de criticar as anteriores direcções partidárias? Que diz coisas e desdiz na semana seguinte? Que afirma ter ideias fortes para um Portugal melhor, mas que só diz baboseiras económicas que envergonham o partido na televisão em directo? Que se orgulha da sua obra em Gaia, uma câmara municipal atolada em dívidas? Alguém acredita que um tipo destes pode vir a ser primeiro-ministro de Portugal?

Golden Palace, India

Amritsar, o Palácio Dourado, o lago de néctar da Imortalidade. Índia.

Sikh de guarda em Amritsar.

Os Sikhs são reconhecíveis pelas longas barbas e turbantes. Pertencem a uma religião que resultou da fusão das religiões hindu com a islâmica. São contra a veneração de ídolos, rituais e sistemas de castas.

Carregam 5 símbolos: Keesh - turbante, kachha - calças largas, kangha - pente de madeira, kara - bracelete metálica, e kirpan - uma espada simbólica que relembra o dever de cada indivíduo em lutar contra a tirania e proteger os mais fracos.

2008-01-15

Retratos de Portugal

BCP versus PPD/PSD

Carlos Ferreira ganhou a liderança do BCP. Acho que foi uma boa escolha por parte dos accionistas. Esta é uma matéria que só a eles lhes diz respeito. Mas nem tudo correu bem.

Num processo que tomou contornos políticos, tivemos pela primeira vez um líder do PSD a meter cunhas em público para favorecer militantes ou simpatizantes do PSD para o BCP, apoiando a lista de Cadilhe e restantes reformados para tutelar o maior banco privado de Portugal. Ainda bem que foi derrotado senão tinhamos um lar de terceira idade num banco que necessita de discrição e de uma gestão de alto nível.

Claramente, o poder político deve ser independente do económico, e vice-versa. Não é visto com bons olhos, em países desenvolvidos e capitalistas, a interferência de partidos políticos na gestão interna de empresas privadas. Mas não é a primeira vez que isto acontece.

A Somague financiou o PSD - caso das facturas - e esta empresa é accionista da LusoPonte, ao qual é presidida por Ferreira do Amaral, antigo ministro das obras públicas pelo PSD e que concessionou - beneficiou - a LusoPonte com um contrato milionário. Favores com favores se pagam. Isto dava um belo caso de polícia, se houvessem leis que proibissem ministros de assumirem cargos sociais em empresas envolvidas em contratos com o seu ministério. Mas o PSD não está para aí virado.

Não me revejo no PPD/PSD de luis filipe menezes. Já começaram a surgir declarações de outros sociais-democratas, descontentes com o nível e a baixaria que menezes começou a impôr no partido. Este já anda muito preocupado e quer silenciar a oposição. Desde a reacção excessiva do seu presidente de mesa acerca de um inocente almoço até à declaração do pitbull preferido de menezes, "quem quer ser deputado do PSD" nas próximas eleições. Não conseguirão. Vamos ver se menezes se aguenta em mais 100 dias na liderança. Eu cá acho que não.



Ota versus Alcochete

"É a diferença entre democracias longamente amadurecidas, que vêem na estrita observância do princípio da transparência a melhor garantia de qualidade da sua vida pública, e democracias recentes, como a nossa, que não só toleram como premeiam a promiscuidade opaca da política e dos interesses económicos, sendo poucos os que verdadeiramente se incomodam com isso."

Quanto ao novo aeroporto, recomendo a leitura do "dossier Cravinho". O PSD nunca propôs em 2002, 2003 ou 2004, outro aeroporto que não a Ota, concorrendo até a subsídios europeus. Só recentemente, após intensiva oposição por parte de vários sectores da sociedade civil, a quem fica bem a denominação "lobbie", é que o PSD inverteu a sua posição política, sendo favorável a uma localização na margem sul. Pode-se concluir que um partido político na oposição é mais permeável à mudança de posição, para o lado mais favorável do vento. E de que lado sopra o vento?

No dossier Cravinho não se refere directamente ao investimento do Grupo Espírito Santo, o Portucale - Ribagolfe. Fica mesmo ao lado do Campo de Tiro de Alcochete.

Também não refere a Herdade da Comporta, o TroiaResort, entre outros também em Grândola e que ficam a ganhar com a proximidade do centro aeroportuário. Também não referiu os projectos urbanísticos na península de Setúbal, no Vale da Rosa, ou em Pinhal Novo, prontos a criar moradias para mais umas centenas de milhares de portugueses.

Se fosse na Ota, esses desenvolvimentos seriam muito limitados devido à ocupação presente do território. Em Alcochete, não há problemas, há bastante espaço para a indústria do imobiliário, a actividade que mais dá dinheiro a ganhar e que menos contribui para o progresso nacional. A decisão pró-C.T.A. foi uma clara cedência a estes interesses e aos lobbies que os promovem. Estes só os promovem porque têm cobertura há décadas por parte do Estado. E os erros pagar-se-ão caro a longo prazo.

2008-01-13

Exit